12 de mai de 2007

Caso? Ou compro uma bicicleta?



Qual é a distância entre o narcisismo e a busca de si mesmo? Entre se encantar com o som da própria voz e enfrentar o mistério do próprio âmago?
Nestes últimos dias, mais que em toda a minha vida, essa distância tem ficado clara para mim: uma tênue película de névoa. Um verdadeiro abismo, aparentemente intransponível, dividindo a jornada num antes e num depois que não se sabe quais sejam; uma meta virtualmente inalcançável, à distancia de um suspiro. O impensável desafio da vida. Meu desafio, bem diante de mim.
O que, afinal, é ser humano? Haverá um objetivo básico, fundamental a ser alcançado? Será tudo obra do puro acaso? Qual o significado desta existência, enfim?
Perguntas nada originais, não são mesmo? E respondidas já, de inúmeras formas, das mais respeitáveis e profundas às mais toscas e banais; quem saberá o que de verdade haverá em cada uma delas, visto que, isoladas ou em conjunto, não chegaram a por fecho à questão? Como responder, ainda desta vez?
E por que?
Perceba, estimado leitor que, de um salto, passo do questionamento puro e simples para o questionamento da prórpia questão. Minha intenção não é confundi-lo tornando o raciocínio ainda mais obscuro do que já é; muito simplesmente, tento transmitir em palavras o intrincado da minha dúvida...
Não quero aqui propor mais uma tentativa de resposta, nem acho que tenha competência para tanto, em vista da quantidade das já existentes; o que eu quero agora é saber, se possível, se a questão é valida. E eis que o abismo já pressentido do significado se escancara diante de mim novamente. Fará sentido questionar o sentido da existência? Torna-la-á mais plena ou simples, significativa ou fácil? Para responder a esta questão, bem como à anterior, estou igualmente capacitado. Inútil sequer tentar; já basta lutar com um labirinto de palavras e pensamentos, desnecessário juntar-lhe outro labirinto!
Sendo assim... por que, sabendo disso, essa maldita dúvida não me sai da mente?! Que tipo de idiota se entretém e tortura com problemas que ele sabe não terem solução? Tudo isso, e para que?
Então, um esboço de resposta surge, provisório e insuficiente, mas surge! Questiono porque me é possível questionar... Tenho a mentalidade inquisitiva, sou incapaz de aceitar os fatos simplesmente como eles são, esta é a verdade. Sei que, em face aos fatos, argumentos são inúteis, sei que minhas dúvidas não tiram nem acrescentam nada ao que existe, sei (ou suponho saber) de tudo isso.
Mas se eu apenas aceitar, se não levantar uma pedra no caminho apenas para saber o que há embaixo dela, se deixar de olhar para o restante da existência sem me perguntar em que ele se parece e em que difere de mim, se, enfim, renunciar ao desejo de saber quem ou o que eu sou (apesar do mórbido e talvez injustificado receio que eu tenho de saber), o que me resta? Haveria para mim uma vida que valesse a pena ser vivida? Uma vez mais eu me questiono. E, uma vez mais, duvido...

Imagino que, aproveitando o tema, você leitor esteja se perguntando:
— De que diabos este sujeito está falando? E o que tenho eu a ver com isso?
Bem... esta é uma pergunta interessante, caso esteja mesmo sendo feita... você poderá pensar que eu estou apenas embromando-o. Certamente, se estivesse tão pouco habituado a mim mesmo quanto você, meu caro, eu pensaria da mesma forma! E, sinceramente, não sei o que responder, exceto que senti a necessidade de colocar essas dúvidas aqui, na esperança de que elas me dêem pelo menos alguns dias de relativo descanso; afinal, sendo as mais antigas e sem perspectiva de solução, podem ser temporariamente afastadas, em favor de outras mais recentes e de ordem mais prática. O que leva à conclusão de que estou, sem a menor cerimônia, despejando sobre você, estimado leitor, o peso dos meus mais caros (mas não menos ociosos) questionamentos e pensamentos. O que, devo reconhecer, é um tanto descortês de minha parte.
E apesar disso...
Não é o que eu venho feito com todos os meus textos desde o início deste blog? Não sei qual razão o atrai até este espaço povoado de anotações pessoais e um tanto inúteis; não acredito que objetive conhecer meus tortuosos pensamentos e aborrecida personalidade que, de resto, não exponho com esta intenção. Na verdade não sei dizer porque faço isso, como aliás declarei no texto de estréia. E quanto a apreciar um texto (ainda que vazio) relativamente bem escrito, imagino que haja opções melhores entre autores consagrados, bem como entre os habitantes (relativamente) anônimos deste virtual universo da grande Rede...
Seja como for, aqui está você, caro leitor. E aqui estou eu, satisfeito e honrado com sua visita e com seu interesse, seja ele qual for. Saiba então, que não me escapou o fato deste escrito ter ficado um tanto abrupto e inconclusivo; ele representa meus processos de pensamento, mais que as conclusões a que tais processos possam eventualmente levar. Espero poder dar uma amostra coerente de tais conclusões em breve. Se estiver interessado, tenha um pouco de paciência. Senão..., bem, isso é com você.
Como fecho, deixo estas palavras do pensador J. D. Smith:

“O problema de se ter os dois pés firmemente apoiados no chão é que não se consegue nunca tirar as calças”.

4 contrapontos:

Vera disse...

Amnésico,
Desencana que a vida engana!!
Se desse pra entender tudo, tava bom..
Enquanto isso, viver..depois entender.
Ou não?
Bjs

vera disse...

ou não...

o amnésico disse...

Contaminei vc com minha dúvida?! Espero que não!
Sabe, é possível que seja esse o meu "papel" na vida, uma pergunta ambulante, mesmo sem perspectiva de encontrar respostas.
Pode ser também só falta de coisa melhor pra fazer. Enfim...

Um beijo! (enquanto eu não decido se caso ou compro a tal bike...)

º_°

Johnny disse...

Estou traumatizado...
Olhei para o mestre dos magos, e vi o Mr. Ratzinger...
Socorro!!!! Tem cura isso?