19 de ago de 2007

Eu tenho a força! ©He-Man

Já há dez dias este blog foi indicado pelo Lanark ao prêmio "Power of Schmooze", que visa incentivar o bom relacionamento entre blogueiros, uma iniciativa simpática que eu não sei bem se cabe para um blog que nasceu com uma tendência a ser meio cult, não por ser algo especial, mas pelo reduzido número de leitores (bastante qualificados, em compensação)...
Além disso, meu espaço de links para outros blogs de especial interesse está incompleto há muito tempo: tenho mais de vinte nos "favoritos" do Firefox, que não coloquei em minha "mesa de cabeceira" por simples incapacidade de administrar meus interesses e tempo. Ou seja, leio e comento blogs que deixo de recomendar explicitamente, o que também depõe contra o merecimento da indicação, belo exemplo de convivência, não?

Bem, depois deste mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, confiteor Deo omnipotente, as minhas indicações são estas:

Idéias Enroladas - Aventuras do cotidiano, grandes sacadas e muita coisa bonita, simplesmente delicioso de ler;

Luz Vermelha - O olhar ferino e muito bem humorado de uma consultora de moda/sentimental especialista em enxergar o lado mais inusitado dos acontecimentos;

Devaneios & Loucuras - Sensibilidade à flor da pele na poesia vinda diretamente de Pasárgada, um mergulho nas profundezas da alma.

Aí está, espero que a Laura não se incomode por eu também ter indicado "apenas" três blogs. Estou tentando melhorar, juro...!

18 de ago de 2007

Tá cansado? Vai pescar!

Quase incluí alguma coisa deste ridículo movimento oportunista "Cansei" na minha última postagem, mas pesquisando na net achei isto.

Divirtam-se!

17 de ago de 2007

A quem possa interessar

“Welcome to the desert of the real.”
(Morpheus, no filme Matrix)



Este é o blog de um subjetivista, como talvez vocês tenham notado. As raras vezes em que saí do reino do devaneio para errar pela vazia realidade foram motivadas apenas por distração, esquecimento ou falta de inspiração de minha parte (e a volta à fantasia sempre foi mágica, com o sabor de novidade dos tempos de criança).

Mas hoje abro uma exceção, pois me sinto triplamente atacado por certa campanha publicitária de um jornal paulistano, que ironiza os blogs. De saída, porque a esmagadora maioria da mídia há tempos tem me enojado, especialmente o jornalismo e a publicidade. E agora por mais uma tentativa grosseira desses cachorrinhos amestrados dos poderes dominantes de impor sua distorcida visão da realidade num meio como a Internet que (e eles já deveriam ter aprendido), não se rende facilmente às manobras de enquadramento interesseiro no sistema podre por eles defendido.

Que não se imagine que eu aprecie qualquer blog que exista, até porque não os conheço todos. Aliás, não fui atraído pela blogosfera desde o seu início justamente por me parecer que esta se tratava de um mero espaço aborrescente (estou muito satisfeito por ter descoberto meu erro, mesmo que tardiamente). Além disso, não sou ingênuo a ponto dar crédito ou considerar relevante tudo que se publica na rede (ou em que mídia seja), e odeio o abominável miguxês com que alguns são rabiscados, características ironizadas na campanha. Mas não sou autoritário a ponto de exigir sua extinção só por isso: minha opinião a respeito deles diz respeito apenas a mim; não tenho intenção de cruzar seus caminhos, se eles não cruzarem o meu.

Se quiserem mais informações, cliquem aqui. Não vou citar os nomes da agência publicitária ou do jornal, nem dar continuidade à polêmica surgida na parte mais politicamente combativa da blogosfera; não quero bancar a carpideira e animar velório de um veículo de inverdades que jamais reconheceu minha existência e nem coveiro, para jogar a pá de cal sobre um bando de apêndices de vendilhões que em sua vaidade se intitulam “criativos” e até inventaram um “mercado” próprio.

O que eu quero é que eles e tudo o que representam desapareça da face da Terra, o quanto antes.

Grato pela atenção.


[editado 18/08 - fotomontagens "respondendo" à campanha do jornaleco:
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e, aproveitando meu passeio pelo purgatório...]

Criança (que) Esperança

Esperar que um evento beneficente,
Que almeja dinheiro tão somente,
(De preferência em moeda corrente)
Para deixar a consciência contente;

Em troca de um espetáculo estridente,
Feito por muita nulidade emergente,
Venha tornar abandonados em "gente"...
Há! Que expectativa indigente!

15 de ago de 2007

Definições pessoais de...

AMOR
Amor é um grupo de asteróides da faixa desses corpos celestes, localizada entre Marte e Júpiter; sua característica mais marcante é a órbita extremamente excêntrica, chegando alguns deles a passar perto do planeta Mercúrio.
O grupo é formado pelos seguintes corpos (com o nome do descobridor e a data do primeiro avistamento):
  • Eros (Witt, 13/01/1898)
  • Alinda (Wolff, 03/01/1918)
  • Ganimedes (Berge, 23/10/1924)
  • Amor (Delporte, 12/03/1932)
  • Apolo (Reinmuth, 24/04/1934)
  • Adônis (Delporte, 12/02/1936)
  • Hermes (Reinmuth, 28/10/1937)

Amor também é Roma ao contrário.

Esbarrei nesta reflexão após ler a postagem de 12/08 no ótimo Domador de Quimeras, blog cuja visita vale cada linha.
Por que o texto do Carlos sugeriu essa bizarrice, nem eu mesmo sei!

MARCADORES
Há tempos devo essa definição aos leitores, já que o significado dos meus não é evidente:
  • outono – Crônicas pessoais, pensamentos soltos, sonhos acordado e diatribes* de um fígado castigado;
  • férias – Minhas “obras artísticas”: ficções, tentativas poéticas, grafismos & outras gracinhas;
  • patinetes – Quando outros autores já disseram o que eu queria, melhor do que eu;
  • símbolos – Reciclando lixo psíquico: números, presságios, manias, superstições, etc; [editado]
  • ? – Postagem fantasma: não me lembro de quando fiz ou o que ia ser; descobri gravada como rascunho ao organizar os marcadores, noite dessas. Fica como um espaço para coisa nenhuma...

*S. f. 1. Crítica acerba; escrito ou discurso violento e injurioso.
Fonte: Dicionário Aurélio - Século XXI

O AMNÉSICO
  • "...depreciado pelos professores, sendo considerado medíocre, preguiçoso, imprestável e sem o menor senso de ridículo."
  • "...fundou sua própria igreja (...), da qual era o único membro, e excomungava todos que discordassem dele."
  • "Era famoso por possuir 12 idênticos ternos cinza de veludo e fazia coleção de guarda-chuvas e cachecóis. Detestava sol."
  • —"Minha alimentação consiste apenas em comida de cor branca (vou poupá-los dos detalhes revoltantes)."
  • —"Antes de escrever uma peça, eu caminho várias vezes à sua volta, acompanhado de mim mesmo."
  • —"Minha expressão é muito séria. Quando eu rio, é sem intenção e eu sempre peço desculpas, muito educadamente."
  • —"Meu médico sempre me aconselhou a fumar (charutos, naturalmente). Ele sempre dizia: —'Fume, meu amigo. Senão, outro fumará em seu lugar'."

Este é o grande inspirador deste blog, o francês Erik Satie.
Me identifico muito com ele...

12 de ago de 2007

Fim de mundo

Um nada no meio de lugar nenhum, “Califórnia brasileira” (talvez por causa dos terremotos). Aonde vim morar.

É estranho aqui. Já foi uma aldeia branca, o lugar mais ensolarado e quente do mundo, onde ninguém enxergava a cor verde que não existia. Agora são trinta e poucos mil habitantes, mas não se vê gente nas ruas, paira uma condenação sobre o lugar: durante o dia, todos cumprem pena nas usinas de açúcar e álcool e lavouras de cana-de-açúcar ou de laranja; ao entardecer são soltos, e até o comércio fechar, às oito da noite, isso aqui fica parecendo uma cidade normal. Então todos desaparecem, mas não estão nas casas, vendo televisão. Não se sabe como ou porque, talvez devido a uma antiga maldição ou a um raro fenômeno natural, todos os habitantes nascidos na terra se transformam em tatus, que de qualquer forma são raramente vistos (tatu é bicho arisco). Quem não nasceu aqui vira teiú, cobra, coruja ou raposa. Um dia descubro porque.

Isso nos dias de semana. Aos sábados e domingos são liberados da metamorfose para beber até cair ou rezar até enlouquecer (freqüentemente as duas coisas juntas), ouvir sempre as mesmas músicas ruins feitas das mesmas palavras e notas estridentes, se matar em brigas ridículas, escravos do churrasco e da televisão.

O ano todo a areia tenta cobrir a cidade e não consegue, então pede ajuda à cinza que cai do céu durante metade do ano. Um dia a cidade acaba engolida, isso se a lavoura de cana não avançar tomando conta de tudo, junto com os gafanhotos mortos que brotam do chão e que não podem ser varridos: quanto mais se varre, mais eles se multiplicam; então são deixados onde estão, pisados pelos transeuntes que já não são capazes de vê-los e transformando-se lentamente numa pasta verde que se mistura ao asfalto solto das ruas e ao esterco de cavalo nas calçadas. O certo é que a cidadezinha vai desaparecer um dia, e o bosque dos suicidas não vai mais receber ninguém para se enforcar, e os fantasmas vão ter de se mudar para outra cidade; ou talvez vão para as usinas abandonadas disputar lugar com as assombrações de lá, que à noite fazem o canavial gemer de um jeito estranho.

“Cidade Doçura” é o apelido deste lugar amargo, onde os recém falecidos cruzam a cidade em carro de som, anunciando a própria morte e convidando para o enterro. Não, talvez não, talvez eles apenas paguem ao locutor para fazer o anúncio, foi exagero meu. Como é exagero dizer que todas as emissoras de rádio são na verdade uma só, já que todas tocam as mesmas músicas e falam das mesmas coisas, todos os dias, todas as horas, a vida toda.

Mas será exagero dizer que o prefeito foi impedido de concorrer às últimas eleições por causa de dívidas não pagas, à última hora colocou o nome da esposa no lugar do seu nas cédulas e ganhou a eleição? Ou que um candidato a vereador não teve nenhum único voto, nem mesmo o próprio? Ou que todo mundo que vem de fora para trabalhar no açúcar e álcool ou laranja sai daqui pior do que chegou, quando chega a sair? Ou dizer que, vindos da estação rodoviária mais próxima, os raros visitantes só podem chegar até aqui por três ônibus, dois com nome de "Sanatório" e um de "Penitenciária", e que esses nomes descrevem a cidade muito melhor do que seu apelido promocional? Ou que nem cachorros se vêem andando nas ruas? Ou que a água da rua chega fervendo pelos canos? Ou que a linha de trem é um caminho de procissão de fantasmas? Ou que o comércio vive do vento seco, quente e cheio de poeira? Que as pessoas que odeiam os migrantes na verdade odeiam a si mesmas? Que é preciso de autorização (de quem?) para se comprar corda? Que a vida rural não existe mais? Estarei exagerando desde o início?

Será que eu me mudei mesmo pra cá? Ou sou um teiú escondido no mato?

9 de ago de 2007

Do the right thing


7 de ago de 2007

Futebol=M.C²

O time para o qual eu costumava torcer estava a dez jogos sem ganhar; uma vitória e agora está a quatro sem perder!

Einstein adoraria este exemplo de Relatividade.

[editado 10/08]

Vasco 2 x 0 Corinthians. Voltamos à normalidade. Ou quase: com um presidente interino ex-palmeirense!

Definitivamente, algo está a apodrecer na Dinamarca...*



*Marcellus, ato I, cena IV
d' A Tragédia de Hamlet, príncipe da Dinamarca, por William Shakespeare.

5 de ago de 2007

Santa tecnologia, Batman!







Postosco. Sim, eu sei.
Ainda assim, não há nada melhor que vinganças mesquinhas...

3 de ago de 2007

A garrafa vazia, por William Aytoun (1813 - 1865)

Ah, liberdade! como te assemelhas
A esta grande garrafa sobre a mesa,
Que ontem, de adega estrangeira,
Veio cheia de forte cerveja inglesa!

O toque do aço — a mão — o jorro —
Espoucar que o longe e o perto emparelha —
Uma emoção selvagem — líquido arroubo —
E eu bebi desta cerveja inglesa!

E o que resta? — Uma bilha vazia!
Sem que alegria ou vida nela esteja,
Templo em que deus algum habitaria —
Somente a lembrança da cerveja!


Slainte!*