30 de dez de 2008

A egreja do Diabo, de Machado de Assis

I

De uma idéa mirifica

Conta um velho manuscripto benedictino que o Diabo, em certo dia, teve a idéa de fundar uma egreja. Embora os seus lucros fossem continuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde seculos, sem organização, sem regras, sem canones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obsequios humanos. Nada fixo, nada regular. Por que não teria elle a sua egreja? Uma egreja do Diabo era o meio efficaz de combater as outras religiões e destruil-as de uma vez.

— Vá, pois, uma egreja, concluiu elle. Escriptura contra Escriptura, breviario contra breviario. Terei a minha missa, com pão e vinho á farta, as minhas predicas, bullas, novenas e todo o demais apparelho ecclesiastico. O meu credo será o nucleo universal dos espiritos, a minha egreja uma tenda de Abrahão. E depois, emquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha egreja será unica; não acharei, deante de mim, nem Mahomet, nem Luthero. Ha muitos modos de affirmar; ha só um de negar tudo.

Dizendo isso, o Diabo sacudiu a cabeça e estendeu os braços, com um gesto magnifico e varonil. Em seguida, lembrou-se de ir ter com Deus para communicar-lhe a idéa e desafial-o; levantou os olhos, accesos de odio, asperos de vingança, e disse comsigo: — Vamos, é tempo. E rapido, batendo as azas, com tal estrondo que abalou todas as provincias do abysmo, arrancou da sombra para o infinito azul.


II

Entre Deus e o Diabo

Deus recolhia um ancião, quando o Diabo chegou ao céo. Os seraphins que engrinaldavam o recém-chegado, detiveram-se logo e o Diabo deixou-se estar á entrada com os olhos no Senhor.
— Que queres tu? perguntou este.
— Não venho pelo vosso servo Fausto, respondeu o Diabo, rindo, mas por todos os Faustos do seculo e dos seculos.
— Explica-te.
— Senhor, a explicação é facil; mas permitti que vos diga: recolhei primeiro esse bom velho; dae-lhe o melhor logar, mandae que as mais afinadas citharas e alaúdes o recebam com os mais divinos córos...
— Sabes o que ele fez? perguntou o Senhor, com os olhos cheios de doçura.
— Não, mas provavelmente é dos ultimos que virão ter comvosco. Não tarda muito que o céo fique semelhante a uma casa vazia, por causa do preço, que é alto. Vou edificar uma hospedaria barata; em duas palavras, vou fundar uma egreja. Estou cançado da minha desorganização, do meu reinado casual e adventicio. É tempo de obter a victoria final e completa. E então vim dizer-vos isto, com lealdade, para que me não accuseis de dissimulação... Boa idéa, não vos parece?
— Vieste dizel-a, não legitimal-a, advertiu o Senhor.
— Tendes razão, acudiu o Diabo; mas o amor proprio gosta de ouvir o applauso dos mestres. Verdade é que n'este caso seria o applauso de um mestre vencido e uma tal exigencia... Senhor, desço á terra; vou lançar a minha pedra fundamental.
— Vae.
— Quereis que venha annunciar-vos o remate da obra?
— Não é preciso; basta que me digas desde já por que motivo, cançado ha tanto da tua desorganização, só agora pensaste em fundar uma egreja?

O Diabo sorriu com certo ar de escarneo e triumpho. Tinha alguma idéa cruel no espirito, algum reparo picante no alforge da memoria, qualquer cousa que, n'esse breve instante da eternidade, o fazia crer superior ao proprio Deus. Mas recolheu o riso, e disse:
— Só agora conclui uma observação, começada desde alguns seculos, e é que as virtudes, filhas do céo, são em grande numero comparaveis a rainhas, cujo manto de velludo rematasse em franjas de algodão. Ora, eu proponho-me a puxal-as por essa franja, e trazel-as todas para a minha egreja; atraz d'ellas virão as de seda pura...
— Velho rethorico! murmurou o Senhor.
— Olhae bem. Muitos corpos que ajoelham aos vossos pés, nos templos do mundo, trazem as anquinhas da sala e da rua, os rostos tingem-se do mesmo pó, os lenços cheiram aos mesmos cheiros, as pupillas centelham de curiosidade e devoção entre o livro santo e o bigode do peccado. Vêde o ardor — a indifferença ao menos — com que esse cavalheiro põe em lettras publicas os beneficios que liberalmente espalha — ou sejam roupas ou botas, ou moedas, ou quaesquer d'essas materias necessarias á vida... Mas não quero parecer que me detenho em cousas miudas; não fallo, por exemplo, da placidez com que esse juiz de irmandade, nas procissões, carrega piedosamente ao peito o vosso amor e uma commenda... Vou a negócios mais altos...

N'isto os seraphins agitaram as azas pesadas de fastio e somno. Miguel e Gabriel fitaram no Senhor um olhar de supplica. Deus interrompeu o Diabo.
— Tu és vulgar, que é o peior que póde acontecer a um espirito da tua especie, replicou-lhe o Senhor. Tudo o que dizes ou que digas está dicto e redicto pelos moralistas do mundo. É assumpto gasto; e se não tens força, nem originalidade para renovar um assumpto gasto, melhor é que te cales e te retires. Olha; todas as minhas legiões mostram no rosto os signaes vivos do tedio que lhes dás. Esse mesmo ancião parece enjoado; e sabes tu que elle fez?
— Já vos disse que não.
— Depois de uma vida honesta, teve uma morte sublime. Colhido em um naufragio, ia salvar-se numa taboa; mas viu um casal de noivos, na flôr da vida, que se debatiam já com a morte; deu-lhe a taboa de salvação e mergulhou na eternidade. Nenhum publico: a agua e o céo por cima. Onde achas ahi a franja de algodão?
— Senhor, eu sou, como sabeis, o espirito que nega.
— Negas esta morte?
— Nego tudo. A misanthropia póde tomar aspecto de caridade; deixar a vida aos outros, para um misanthopo, é realmente aborrecel-os...
— Rethorico e subtil! exclamou o Senhor. Vae, vae, funda a tua egreja; chama todas as virtudes, recolhe todas as franjas, convoca todos os homens... Mas, vae! vae!
Debalde o Diabo tentou proferir alguma cousa mais. Deus impuzera-lhe silencio; os seraphins, a um signal divino, encheram o céo com as harmonias de seus canticos. O Diabo sentiu, de repente, que se achava no ar; dobrou as azas e, como um raio, cahiu na terra.


III

A boa nova aos homens

Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula benedictina, como habito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinaria, com uma voz que reboava nas entranhas do seculo. Elle promettia aos seus discipulos e fieis as delicias da terra, todas as glorias, os deleites mais intimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para rectificar a noção que os homens tinham d'elle e desmentir as historias que a seu respeito contavam as velhas beatas.

— Sim, sou o Diabo, repetia elle; não o Diabo das noites sulphureas, dos contos somniferos, terror das creanças, mas o Diabo verdadeiro e unico, o proprio genio da natureza, a que se deu aquelle nome para arredal-o do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pae. Vamos lá: tomae d'aquelle nome, inventado para meu desdouro, fazei d'elle um tropheo e um labaro, e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...

Era assim que fallava, a principio, para excitar o enthusiasmo, espertar os indifferentes, congregar, em summa, as multidões ao pé de si. E ellas vieram; e logo que vieram o Diabo passou a definir a doutrina.
A doutrina era a que podia ser na bocca de um espirito de negação. Isso quanto á substancia, porque, acerca da fórma, era umas vezes subtil, outras cynica e deslavada.

Clamava elle que as virtudes acceitas deviam ser substituidas por outras, que eram as naturaes e legitimas. A soberba, a luxuria, a preguiça, foram rehabilitadas, e assim tambem a avareza, que declarou não ser mais que a mãe da economia, com a differença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada. A ira tinha a melhor defeza na existencia de Homero; sem o furor de Achilles, não haveria a Illiada: "Musa, canta a colera de Achilles, filho de Peleu"... O mesmo disse da gulla, que produziu as melhores paginas de Rabelais, e muitos bons versos do Hyssope; virtude tão superior, que ninguem se lembra das batalhas de Lucullo, mas das suas ceias; foi a gulla que realmente o fez immortal. Mas, ainda pondo de lado essas razões de ordem litteraria ou historica, para só mostrar o valor intrinseco d'aquella virtude, quem negaria que era muito melhor sentir na boca e no ventre os bons manjares, em grande copia, do que os máos boccados, ou a saliva do jejum? Pela sua parte o Diabo promettia substituir a vinha do Senhor, expressão metaphorica, pela vinha do Diabo, locução directa e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fructo das mais bellas cepas do mundo. Quanto á inveja, prégou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a supprir todas as outras, e ao proprio talento.

As turbas corriam atraz d'elle, enthusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloquencia, toda a nova ordem de cousas, trocando a noção d'ellas, fazendo amar as perversas e detestar as sans.

Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que elle dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o direito era a força; e concluia: Muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, elle não exigia que todos fossem canhotos; não era esclusivista. Que uns fossem canhotos, outros dextros; acceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porem, mais rigorosa e profunda, foi da venalidade. Um casuista do tempo chegou a confessar que era um monumento de logica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercicio de um direito superior a todos os direitos. Se tu pódes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéo, cousas que são tuas por uma razão juridica e legal, mas que, em todo caso, estão fóra de ti, como é que não pódes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, cousas que são mais do que tuas, porque são a tua propria consciencia, isto é, tu mesmo? Negal-o é cahir no absurdo e no contradictorio. Pois não ha mulheres que vendem os cabellos? não póde um homem vender uma parte do seu sangue para transfundil-o a outro homem anemico? e o sangue e os cabellos, partes physicas, terão um privilegio que se nega ao caracter, á porção moral do homem? Demonstrando assim o principio, o Diabo não se demorou em expôr as vantagens de ordem temporal ou pecuniaria; depois, mostrou ainda que, á vista do preconceito social, conviria dissimular o exercicio de um direito tão legitimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hypocrisia, isto é, merecer duplicadamente.

E descia, e subia, examinava tudo, rectificava tudo. Está claro que combateu o perdão das injurias e outras maximas de brandura e cordialidade. Não prohibiu formalmente a calumnia gratuita, mas induzui a exercel-a mediante retribuição, ou pecuniaria, ou de outra especie; nos casos, porém, em que ella fosse uma expansão imperiosa da força imaginativa, e nada mais, prohibia receber nenhum salario, pois equivalia a fazer pagar a transpiração. Todas as fórmas de respeito foram comndenadas por elle, como elementos possiveis de um certo decoro social e pessoal; salva, todavia, a unica excepção do interesse. Mas essa mesma excepção foi logo eliminada, pela consideração de que o interesse, convertendo o respeito em simples adulação, era este o sentimento applicado e não aquelle.

Para rematar a obra, entendeu o Diabo que lhe cumpria cortar por toda a solidariedade humana. Com effeito, o amor do proximo era um obstaculo grave á nova instituição. Elle mostrou que essa regra era uma simples invenção de parasitas e negociantes insolvaveis; não se podia dar ao proximo senão indifferença; em alguns casos, odio ou desprezo. Chegou mesmo á demonstração de que a noção do proximo era errada, e citava esta phrase de um padre de Napoles, aquelle fino e lettrado Galiani, que escrevia a uma das marquezas do antigo regimen: "Leve a breca o proximo! Não ha proximo!" A unica hypotese em que elle permittia amar ao proximo era quando se tratasse de amar as damas alheias, porque essa especie de amor tinha a particularidade de não ser outra cousa mais do que o amor do individuo a si mesmo. E como alguns discipulos achassem que uma tal explicação, por metaphysica, escapava á comprehensão das turbas, o Diabo recorreu a um apologo: — Cem pessoas tomam acções de um banco, para as operações communs; mas cada accionista não cuida senão dos seus dividendos: é o que acontece com os adulteros.
Este apologo foi incluido no livro da sabedoria.


IV

Franjas e franjas

A previsão do Diabo verificou-se. Todas as virtudes cuja capa de velludo acabava em franja de algodão, uma vez puxadas pela franja, deitavam a capas ás ortigas e vinham alistar-se na egreja nova. Atraz foram chegando as outras, e o tempo abençoou a instituição. A egreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma lingua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triumpho.

Um dia, porém, longos annos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fieis, ás escondidas, praticavam as antigas virtudes. Não as praticavam todas, nem integralmente, mas algumas partes e, como digo, ás ocultas. Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente trez ou quatro vezes por anno, justamente em dias de preceito catholico; muitos avaros davam esmolas, á noite, ou nas ruas mal povoadas; varios delapidadores do erario restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos fallavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros. A descoberta assombrou o Diabo. Metteu-se a conhecer mais directamente o mal, e viu que lavrava muito. Alguns casos eram até incomprehensiveis, como o de um droguista do Levante, que envenenara longamente uma geração inteira, e com o producto das drogas soccorria os filhos das victimas. No Cairo achou um perfeito ladrão de camellos, que tapava a cara para ir ás mesquitas. O Diabo deu com elle á entrada de uma, lançou-lhe em rosto o procedimento; elle negou, dizendo que ia alli roubar o camello a um drogomano; roubou-o, com effeito, á vista do Diabo e foi dal-o de presente a um muezzin que rezou por elle a Allah. O manuscripto benedictino cita muitas outras descobertas extraordinarias, entre ellas esta que desorientou completamente o Diabo. Um dos seus melhores apostolos era um calabrez, varão de cincoenta annos, insigne falsificador de documentos, que possuia uma bella casa na campanha romana, telas, estatuas, bibliotheca, etc. Era a fraude em pessôa; chegava a metter-se na cama para não confessar que estava são. Pois esse homem, não só não furtava ao jogo, como ainda dava gratificações aos creados. Tendo angariado a amizade de um conego, ia todas as semanas confessar-se com elle, n'uma capella solitaria; e, comquanto não lhe desvendasse nenhuma das suas acções secretas, benzia-se duas vezes, ao ajoelhar-se e ao levantar-se. O Diabo mal poude crêr tamanha aleivosia. Mas não havia que duvidar; o caso era verdadeiro.

Não se deteve um instante. O pasmo não lhe deu tempo de reflectir, comparar e concluir do espectaculo presente alguma cousa analoga ao passado. Voou de novo ao céo, tremulo de raiva, ancioso de conhecer a causa secreta de tão singular phenomeno. Deus ouviu-o com infinita complacencia; não o interrompeu, não o reprehendeu, não triumphou, sequer, d'aquella agonia satanica. Poz os olhos n'elle e disse-lhe:

— Que queres tu, meu pobre Diabo? As capas de algodão têm agora franjas de seda como as de velludo tiveram franjas de algodão. Que queres tu? É a eterna contradicção humana.


Do livro de contos "Histórias sem data", edição de 1946.

26 de dez de 2008

This is who we are...





The Time is near.

24 de dez de 2008

A Todos Vocês

Hoje eu não vou jogar minha carga sobre vocês.

Hoje eu não vou ser o que vocês queriam que eu fosse.
Hoje eu estou me despedindo de vocês.
Hoje, nós estamos sendo apresentados uns para os outros:

— Prazer, eu sou você.
— Morra. Você é nada...

21 de dez de 2008

Conclave

A despeito de tudo o que eu digo aqui (e penso), vou me unir ao sangue de meu sangue.

Vós que Sois sem nome, dai-me forças!




Pois vou precisar.

17 de dez de 2008

Feliz Ano Morto

“Vamos, vamos. Eu lhe direi onde estamos. Estamos na mais remotamente distante região da mente humana, um subterrâneo difuso e  inconsciente. Um radiante abismo, onde as pessoas encontram-se consigo mesmas...

Inferno, Netley. Estamos no Inferno.”

("From Hell", de Alan Moore e Eddie Campbell)


Uma criança largada confiante nos braços da mãe.
Uma criança atirada negligentemente num rio.

Um curimbatá tirado do rio, mordendo o anzol.
Um rio morto onde capivaras nadam.

Nós que construímos casas em encostas de morros.
Nós que morremos com as chuvas que não queremos.

Uma criancinha comendo terra na porta da minha casa.
Uma prostituta de onze anos sendo morta pelo seu gigôlo.

Nós, que temos medo.
Nós, que disparamos um 'pente' de 15 balas contra nós mesmos.

Uma mãe ralhando com o filho mijão.
Um menino enfrentando sozinho os monstros das trevas.

Um idiota que escapa de uma sapatada.
Os prisioneiros de Guantanamo.

O aquecimento global.
O resfriamento do mundo.

Os economistas.
Os cegos que guiam cegos.

Tua mãe.
Nossa Mãe.

As mentiras dos que sabem.
As verdades dos que calam.

Nós, que somos o que somos.
Nós, que não valemos o que cagamos.

E a chuva cai.

16 de dez de 2008

Porque não se atira sapato em barata

15 de dez de 2008

Para o meu "amor".




"Você me tem?

Você me odeia?"

12 de dez de 2008

Mensagem

Espero que todas as pessoas que inadvertidamente passaram por aqui este ano tenham uma feliz conclusão de ano e que o próximo seja melhor que o que passou. Nos encontramos em 2009.


... enquanto eu amago o meu inferno astral...

5 de dez de 2008

Bomba-relógio

... tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque...

“— Ela está armada outra vez!

... tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque...

— Eu sairia de perto, se fosse você!”

... tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque, tique-taque...

1 de dez de 2008

Tudo tem um começo...

... e tudo tem um fim. Já vi isso antes; muito, muito tempo atrás...

Mas não aqui; não agora. Por enquanto, pelo menos...


É quase tudo o que nós somos, e quase nada do que nós sabemos.





"... she's so beautiful!"