23 de nov de 2007

A uma taça feita de um crânio humano (1808)

De lorde Byron
Tradução de Castro Alves


Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria -
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! amei! bebi qual tu: Na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais val guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
-Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto do reptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
... Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra raça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra,
E ébria folgando profanar teus ossos.

E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor ai repousa?
É bom fugindo à podridão do lodo
Servir na morte enfim p'ra alguma coisa!...

14 de nov de 2007

Um Monólogo Stevensoniano*

— O que você está fazendo?
Escrevendo.
— Sobre o que?
A única coisa que sei: minhas dúvidas.
— E por que alguém se interessaria em ler isso?
Essa é uma delas...
— Não tem medo que percebam que tipo de doente mental você é?
Me surpreende que ninguém tenha percebido ainda!
— Mas se está claro que você é um psicótico maníaco-depressivo...!
Hoje em dia se diz "transtorno bipolar de humor".
— Persiste a dificuldade em saber por que faz isso...
"...uns estão despertos nas trevas, outros são sonâmbulos na luz."
— Como é?!
Gibran Kalil Gibran. Foi ele quem disse.
— E o que isso significa?
Não sei, gosto da frase.
— ...
...
— Se até agora você passou apenas por questionador confuso, esse diálogo pode pôr sérias dúvidas sobre sua sanidade mental no juízo dos leitores.
Juízo? Palavra interessante de se usar!
— Você me entendeu...
Sim, entendi.
— E então?
De que adiantaria fingir normalidade? Quanto tempo poderia enganar alguém?
— Não tem se enganado esse tempo todo?
Caralho!
— Não baixe o nível, por favor!
Concordo, me desculpe. Onde estávamos?
— Estamos justificando o elogio de Erasmus de Rotterdam à loucura.
Evidente exagero, este é apenas um diálogo sem rumo.
— Característica principal de suas ações e pensamentos, diga-se...
Bem, que rumo você propõe que tenham? Se nem mesmo a própria vida tem rumo? Se, aliás, nem existe tal coisa de "vida"?
— Nietzsche falando...
Ou Buddha.
— Ou isso.
Isso.
— Insiste em continuar?
Veja, tenho que apresentar alguma coisa...
— Por que?
Por que? É uma excelente pergunta!
— Obrigado! E a resposta?
Não estou bem certo; se você percorrer estes seis meses que exponho aqui, vai notar que não havia um objetivo definido desde o início. Por que haveria de existir um agora?
— É, boa resposta.
Acha mesmo?! Ora, obrigado.
— Não tem de que; de qualquer forma, continuamos (me atrevo a incluir os leitores na minha dúvida) sem entender por que se expor assim.
E por que não? Já pensou na possibilidade de eu não ter outra coisa para mostrar (ou fazer)?
— Então é apenas isso? Um mero passatempo?
Na verdade não. Esquece que faço parte de uma comunidade de autores, que eu também leio, além de escrever?
— É verdade. Então é disso que se trata, retribuição?
De certa forma, sim. Pelo menos em parte...
— Voltamos ao início...
Não volta tudo?
— Então é assim que vamos concluir?
Isso não é a conclusão, é só o começo...
— Começo? De que?
Está querendo saber demais...


* De Robert Louis Stevenson, escritor inglês autor de "Strange case of Dr. Jekill and Mr. Hyde".

10 de nov de 2007

Uma estranha indicação (de um sujeito estranho)


Já há algum tempo (18/10), tive a grata surpresa de ser indicado para o prêmio Este blog vale a pena conferir, pelo Danilo Moreira do blog Em Linhas..., ele mesmo indicado com toda a justiça; então me toca indicar cinco outros blogs merecedores do selo.

E aqui começam minhas dificuldades, e por uma maldita questão de "lógica"!

Minha Mesa de Cabeceira conta atualmente com 18 blogs favoritos; na minha opinião, todos são de visita obrigatória, pelos mais diferentes motivos. Como, então, selecionar cinco entre eles?
Eu venho tentando encontrar um critério para resolver esse meu impasse; não consegui. E não quis simplesmente sortear cinco nomes, afinal isso não é loteria.
Enfim, depois de muito pensar e considerar que o importante nessa premiação é a qualidade dos blogs indicados e não o seu número, decidi que quebrar as regras implícitas destas indicações seria menos penoso para o meu caráter obsessivo do que segui-las à risca.

Portanto:


Bruno, por Acepipes Escritos - Jota, por Brinquedo Barato - Rob Gordon, por Championship Chronicles e Championship Vinyl - Richard, por Chá Laranja - Arthurius Maximus, por Contos Ancestrais - B., por Devaneios & Loucuras - Paulo Borges, por DHARANA FLUXX - Carlos Qualquer Coisa, por Domador de Quimeras - Danilo Moreira, por Em Linhas... - Foxx, por Espartanos e Estórias do Mundo - Juba, por Idéias Enroladas - Johnny, por Legenda Urbana - Cretina Supahstah, por Luz Vermelha - Lanark, por Maçã Podre - Fernanda Passos, por Poesia na Veia e Prosa na Veia...

... eu os indico todos.



Aí está; espero não ter feito bobagem, ainda que não conte com isso...

6 de nov de 2007

Legenda Urbana - Ano I

Uma foto ilustrando uma observação, uma resenha inteligente e bem escrita, ora irônica, ora indignada sobre os mais diversos temas. E uma legenda amarela atravessando o alto da tela, proclamando a liberdade de expressão (até mesmo em relação ao próprio autor, às vezes...). Assim é o blog do Johnny, que dia 27/10 completou seu primeiro aniversário.

Suas ótimas crônicas ilustradas são um testemunho fiel do seu talento: me parece que ele é capaz de escrever igualmente bem sobre qualquer assunto, que seleciona com o olhar certeiro do bom jornalista, o que mostra quanto a Comunicação Social perdeu para a blogosfera. É bem verdade que com isso ele perde as vantagens da profissionalização (leia-se rendimentos!), no que não está, acredito, sozinho: qual de nós, blogueiros, não gostaria de ter todo o tempo disponível e ainda ser pago para fazer aquilo que gostamos, escrever o que nos der na telha? Seja como for, ele tem conseguido conciliar suas atividades no mundo real com seus interesses na grande rede, o que espero que continue a acontecer por muito, muito tempo (e, quem sabe, aproximando-as cada vez mais, por que não?).

Como se isso não bastasse para fazer do Legenda Urbana um de meus blogs mais queridos, foi com ele que eu descobri a face inteligente e talentosa da blogosfera e acabei por querer integrá-la com meus escritos erráticos, de modo que comemoro seu aniversário como se fosse o do meu próprio!

Parabéns, Johnny (e legenda, claro)!


Do Ronan, seu fã de carteirinha.

2 de nov de 2007

vade_retro.doc





Será que algum de vocês não poderia me indicar um exorcista digital?

Meu micro só pode estar endemoninhado...