27 de mai de 2007

Outro domingo

E desta vez, não saí sem destino por essas ruas frias...

Não foi apenas o clima que me desmotivou (apesar de estar me adaptando ao clima local, quente, eu que sempre gostei mais do frio); ando um tanto recolhido ultimamente. Nem ao meu farol neste mar de cana-de-açúcar tenho ido: a recente e insistente propaganda pró álcool como a salvação do país e do planeta(!) me indispôs com o meu destilado favorito; além disso, tenho questionado minha necessidade de entorpecimento alcoólico para conseguir inspiração. Sequer precisei dele em minhas últimas tentativas poéticas... Dos resultados, nada digo.
Veja você, caríssimo leitor: as coisas mudam, contra todas as expectativas!
De qualquer maneira, os fatos não ajudam, por aqui: a monotonia local não é favorável a quem queira passar impressões da vida em palavras; ou então, já não sou capaz de descobrir tais impressões...
O recurso da imaginação, igualmente, parece enrijecido pelo clima, (ao menos p/ mim) surpreendentemente friorento. Melhor seria nem tentar escrever.
Mas há a necessidade, a ânsia de expor alguma coisa, alguma marca que o exterior tenha deixado cá dentro, ou uma impressão do meu olhar sobre o mundo lá fora. Hoje, porém, nem isso me acorre. Fica apenas a ânsia de escrever, escrever... Acordei num dos meus dias poenianos: "num domingo agreste, enquanto eu cismava, lento e triste...”


Hehehe! "Nunca mais?"


Hoje me descubro simplesmente saudoso de você, que tem acompanhado esse diário de viagem para lugar nenhum. Gostaria de brindar à sua saúde, com um bom vinho tinto seco de mesa (para mim, o único que existe; para você, aquele de sua preferência), nessa tarde/noite fria, sem a distância que nos separa, sem esses cabos que nos unem, pelo menos uma vez. Quem sabe, um dia?



Posto que o amanhã tu desconheças,
Tua felicidade no presente trame;
Senta-te ao luar e bebe, enquanto pensas:
"Amanhã, talvez, em vão a lua me chame."
                                                    Omar Khayyam

3 contrapontos:

Lanark disse...

Sincronicidade interessante... cá estava eu, na casa duns conhecidos, num churrasco, enclausurado no quarto esperando o tempo passar (sem cerveja a vontade de comer desaparece), e entre um gole de pepsi e outro, apenas pra ter o prazer de sentir o álcool no sangue de novo, eu coloquei um pouco de vinho tinto seco no refrigerante (eu normalmente prefiro o suave, mas quando não tem escolha)

Essa proibição repentina que a minha mãe me impôs só servirá pra isso: me fazer beber escondido!



Um brinde a ti e a teus escritos!

vera maya disse...

Oi querido,
Devo confessar que gostei desse texto, além de escrever muito bem, achei desencanado,gostei da simplicidade, da linguagem direta...
E a tradução de Omar Khayyam..hum, lindo..
Brindaria com você se nao estivesse me afogando em xaropes pra tosse
Grande Beijo

Anônimo disse...

Opa vinho!!!!Quando???...rss
Quem me dera, faz tempo que não sinto nem o cheiro, mas seria legal beber vinho, jogar conversa fora sem pensar nos problemas.

Domingo é mesmo um diazinho xexelento...

Bj