7 de jan. de 2010

An Dàn: O Lobo à minha Porta, o Esqueleto em meu Armário

Quando eu nasci, meu destino estava traçado: eu deveria ser mais um escravo das circunstâncias.

Quando eu descobri que era escravo, eu me revoltei mas ‘meu sangue’ falou mais alto e eu me calei.

Quando eu quis proteger ‘meu sangue’, me resignei: troquei minha liberdade pelo conforto de ser ‘normal’.

Quando eu quis aproveitar a vida ‘normal’, joguei-a fora: fiz tudo o que os meus donos esperavam que eu fizesse.

Quando eu percebi meu erro, era tarde demais e a próxima geração colherá agora os frutos podres de minha semeadura.

Hoje estou a beira do nosso abismo comum, olhando para o futuro com olhos miraculosamente límpidos.

Se arrependimento matasse...



An Dàn: “destino” em gaelico.

2 de jan. de 2010

Começou de novo!

Lá vamos nós abraçar o Eterno Retorno por mais 365 dias.

Ano que começou como os outros: festas e catástrofes misturadas. Esperanças e medos misturados. Solidão e companhia misturados.

Tudo misturado, como sempre... Bem, assim somos nós.

Aproveitemos o máximo do que vier!


19 de dez. de 2009

Retrospectiva Notas 2009

Apesar de esse ter sido mais um ano tumultuado na história deste blog, não deixei de considerar meus colegas e leitores fazendo...

... bem... digo...


É claro, tivemos algumas postagens dignas de nota, como por exemplo...

... ahn... hmm...


Ora! Estivemos atentos ao que se passou ao nosso redor...

... é... eu...



Bem, feliz 2010, amigos!

13 de dez. de 2009

Chiaroscuro

Soneto de Cavalaria à minha Dama Sofredora

Tens a cútis acastanhada dos gitanos,
E dos briosos ameríndios vencidos
Pela sanha dos sombrios fementidos,
Que dos nômades se julgam estranhos.

Tens errantes os olhos ansiosos
De infante a sondar o desconhecido,
Que te levam, sem que tenhas merecido,
Sofrer dos pares os golpes raivosos.

Quisera eu te livrar então te amando,
Da desdita que, em nascer, nos têm a todos
E tu a mim, conforme, sustentando:

E se tolos à refrega presos fomos,
Façamo-nos de aríete, esmigalhando
Aos canalhas que nos pagam os soldos.




Noite de Meu Bem

Linda boneca de porcelana! Eis-me aqui,
Ouça a minha melopéia — ela te trará
Doces paragens com as quais sonhar:
Como prometido, venho te fazer dormir!

Para ti eu trouxe, da noite sem fim,
O brilho friento e austero dos astros;
Agora peço, tendo vindo a teu quarto
Um pouco desse teu calor para mim.

Seja apenas de delírio esse momento:
Desvelem-se do prazer todas as rotas,
Da luxúria abram-se as sombrias portas —
Naveguemos pelo rio do Esquecimento!

Desafogo trago à tua mente atribulada,
Os cansados ossos meus conforto pedem;
Possa o cruel tempo que os relógios medem
Delongar por nós a inexorável marcha.

E enquanto aos outros o Devorador acossa,
Que continue o meu caminhar, incessante.
E possas tu — para sempre deslumbrante —
Reinar eterna entre as outras noivas mortas!

5 de dez. de 2009

Inferno Astral - de novo

Incomunicável (crise? Que crise?)

O abandono repentino e absoluto deste blog nos últimos meses parece que vai se prolongar por um tempo indeterminado. Acontece que, após meses desfrutando das maravilhas da internet de banda larga, eis que as tarifas se mostraram pesadas demais para o meu bolso, daí o subtítulo - sem mencionar que eu já estava sem telefone meses antes. E as perpectivas para o próximo ano não são boas.

As visitas estão proibidas na prisão.


Depressão cíclica, ou o Inferno não são os outros

Outro final de ano de me alcança e como sempre, me derruba. Os dias vão ficando cada vez mais tenebrosos, um pouquinho a cada dia; o futuro não é incerto, é intolerável - o passado, ausente como de costume - o presente, presente de grego às portas de Tróia.
Certa vez escrevi que o Inferno é repetição; o meu, então, é obra de gênio: infindável repetição de nada, com direito a bonus tracks.

... me pergunto se algum dia minhas postagens de final de ano serão simplesmente de boas festas...


Spring Clean, or just the opposite

Com a chegada da Primavera, é hora de aplicar mais uma demão de tinta e algumas texturas nas paredes de meu quarto.
A tinta é sangue - meu sangue - e as texturas, os mosquitos que eventualmente o tiram de mim...

... vocês certamente achariam minha habitação exótica. Vitalmente exótica.


Angina Lectoris, Scribofobia Subitanea, Dementia Cardinalis — passatempos de um ex-Amnésico

A primeira significa uma sufocação durante a leitura;

A segunda, pânico agudo ao escrever;

A terceira, ser estúpido numa língua morta.



Com textos como este, estar desconectado talvez seja mesmo uma boa idéia...

9 de nov. de 2009

Martir de nossos tempos

Geisy, a dama de vermelho da Uni'qualquer coisa'

Esses são os nossos tempos!



Permitam-me voltar a hibernar.

13 de ago. de 2009

13 de Agosto — Dia do Economista



9 de ago. de 2009

Isolation

by Joy Division
























In fear every day, every evening
He calls her aloud from above
Carefully watched for a reason
Painstaking devotion and love

Surrendered to self preservation
From others who care for themselves
A blindness that touches perfection
But hurts just like anything else

Isolation, Isolation, Isolation

Mother, I tried, please believe me
I'm doing the best that I can
I'm ashamed of the things I've been put through
I'm ashamed of the person I am

Isolation, Isolation, Isolation

But if you could just see the beauty
These things I could never describe
These pleasures a wayward distraction
This is my one broken prize

Isolation, Isolation, Isolation

3 de ago. de 2009

Capacetes azuis como a água e o céu em nossa Bandeira





Haiti

Caetano Veloso e Gilberto Gil

"Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui"

1 de ago. de 2009

Minha Fórmula de Sucesso Literário

É bastante simples e, apesar disso, altamente eficiente: eu tento imaginar o que os leitores gostariam de ler, penso no que eu gostaria de escrever, me pergunto como poderia alcançar ambos os objetivos simultaneamente, ligo o computador e escrevo a primeira besteira que me vem à cabeça...


Eu sei, ninguém perguntou; apenas quis deixá-la registrada: assim, posso esquecê-la tranquilo.