12 de set. de 2007

Mais uma de novela

"Caminhos do Coração", da tv Record: minha mãe esperando para assistir CSI Miami, resmungando contra a novela esquisita. Fui conferir; em menos de vinte minutos, vi um bebê com poderes
tele e pirocinéticos como o Legião,
um super velocista como o Mercúrio, um telepata como o Professor X, um teleportador de dentes afiados como o Noturno e uma gritadora como o Banshee (personagens da série de quadrinhos/filmes X-Men)! Honestamente, não sei o que dizer a respeito disso; mas que é estranho ver a tv do bispo Edir mostrar numa novela mutantes com poderes especiais criados artificialmente em laboratório,
isso é!

Sinal dos tempos?

9 de set. de 2007

WEI CHI - ANTES DA CONCLUSÃO


ACIMA: LI, O ADERIR, FOGO
ABAIXO: K'AN, O ABISMAL, ÁGUA

JULGAMENTO

ANTES DA CONCLUSÃO. Sucesso.
Porém, se a pequena raposa,
quase ao completar a travessia,
deixa sua cauda cair na água,
nada será favorável.

IMAGEM

Fogo sobre a água: a imagem das condições ANTES DA CONCLUSÃO.
Assim, o homem superior é cauteloso ao diferenciar as coisas,
para que cada uma ocupe o lugar que lhe é próprio.

LINHAS

Seis na primeira posição significa:
Ele mergulha sua cauda na água.
Humilhante.

Nove na segunda posição significa:
Ele freia suas rodas.
A perseverança traz boa fortuna.

Seis na terceira posição significa:
Atacar antes da conclusão traz infortúnio.
É favorável cruzar a grande água.

Nove na quarta posição significa:
A perseverança traz boa fortuna.
O arrependimento desaparece.
Comoção, para castigar a terra do diabo.
Durante três anos grandes reinos serão dados como recompensa.

Seis na quinta posição significa:
A perseverança traz boa fortuna.
Nenhum arrependimento.
A luz do homem superior é verdadeira.
Boa fortuna.

Nove na sexta posição significa:
Bebe-se vinho em plena confiança.
Nenhuma culpa.
Mas se ele molha sua cabeça,
perderá essa confiança.



Do "I Ching, O Livro das Mutações", tradução e intepretação de Richard Wilhelm.

7 de set. de 2007

Agradecimentos especiais:

  • Johnny, excelente amigo e ex-colega de trabalho; seu blog, Legenda Urbana, me iniciou na blogosfera como leitor e comentarista, e me abriu as portas para um mundo fascinante;
  • Lanark, cuja amizade devo à Internet (e me ajudou a começar a superar o medo de contatos virtuais), também blogueiro com o Agnóstico Vagabundo; em nosso primeiro contato me perguntou se eu tinha um blog, o que me fez começar este caderno de notas;
  • A todos os talentosos autores que tenho conhecido desde então, cujos blogs tenho a honra (e em alguns casos espero vir a ter) de estarem na minha mesa de cabeceira;
  • Aos leitores, blogueiros ou não, que têm me dado o enorme prazer de suas visitas e pelos generosos comentários feitos aos meus rabiscos.

6 de set. de 2007

Agradecimentos:

  • Tim Berners-Lee, pela Internet;
  • Johann Gutemberg, pela imprensa;
  • O anônimo inventor do livro;
  • Toth, Fu-Hi, Odin, Sumé, etc..., pela escrita, onde tudo começou.

3 de set. de 2007

Encruzilhada

“Às vezes, você sonha com as estradas de Destino, e especula, sem propósito algum.
Sonha com os passos dados e com os que não deu.

(“Estação das Brumas”, Neil Gaiman)


Caminhava sem rumo como de costume, ruminando pensamentos soltos, do mesmo modo como tenho vivido. Nunca tive ocupação fixa, mas me considero um escritor, se não de fato pelo menos de direito; mas com um sorriso amargo, lembro o conselho tantas vezes dado pela minha família:

“— Por que não escreve sobre os seus fracassos? Pelo menos não vai passar fome, vai ter bastante papel para comer...”

Meu povo é simpático, não é mesmo? Já nem ligo mais, o que talvez seja um erro; enfim, inevitável, conquanto inútil, pensar na vida. Estou perigosamente perto dos quarenta, o que pode ter me tornado um tanto cínico: passei pela época da rebeldia sem causa, passei pelo socialismo, passei pela época do ateísmo (mas devo confessar, nunca pude acreditar no acaso determinista), poucos de meus heróis foram sacrificados a contento, no mais das vezes eles se acomodaram; e afinal, quem haveria de recriminá-los? A clássica maioria silenciosa? Acho que não.

Uma frase de Oscar Wilde sempre me faz rir sozinho: “Deus, ao criar o homem, superestimou Sua capacidade”; simplesmente perfeito! O que não significa que eu deteste meus semelhantes ou a mim mesmo, apenas sou um tanto cético a nosso respeito; afinal, o que é a história humana comparada com os 400 milhões de anos da estirpe da barata: seria tempo demais para uma inutilidade existir, não? Agora, quanto ao homo sapiens...
São pensamentos como este que me mantêm longe das camisas-de-força, tanto as do escritório quanto as do hospício; também me mantêm longe de uma existência decente, mas, afinal, não se pode ter tudo...
Frases demais para pouca história, melhor resumir
: longe de estar satisfeito com minha vida, sempre estive mais longe ainda de querer mudá-la; e desse modo cheguei à encruzilhada.

Não reconheci os arredores: um campo de capim baixo e poucas árvores retorcidas. Tentava entender como havia parado ali quando percebi vindo em minha direção, pelo braço da esquerda, uma figura bastante estranha. Passo rápido e curto, cabeça pendente e camisa abotoada até o queixo, livros e caixas de CDs atrapalhando ainda mais os movimentos desajeitados. Passou por mim com um olhar desconfiado e esquivo por cima da acne onde ainda pude ver, antes que ele desaparecesse, além do desgosto que minha visão certamente lhe causou, uma sutil perfídia embalsamada.

Aquele era eu mesmo. Ou teria sido, caso me tivesse tornado o nerd que nasci para ser.

Num lampejo de identificação, conheci os sentimentos daquele sujeito bizarro: vivia feliz como um pinto no lixo, mesmo sendo um mero farrapo de ser humano e saber disso; ainda assim, a criatura de cabelo escovado encontrou motivos para me desprezar... Talvez estivesse reagindo à avaliação que eu fazia do seu modo de vida: sempre me considerei afortunado por ter escapado da síndrome de gênio que me quiseram atribuir à época escolar (antes era considerado retardado, como os autistas eram então chamados; depois, apenas louco).

“— Pff! Difícil dizer qual de nós ficou mais constrangido em ver o outro...”

Ainda pensava no que fazer quando do caminho à direita surgiu outra figura, andando num passo de pantera bêbada. De novo, nenhum de nós se olhou diretamente nos olhos, com uma diferença: enquanto o nerd apenas evitava uma imagem que lhe era penosa, eu e este procurávamos subterfúgios para jogar a responsabilidade do não reconhecimento mútuo no outro. O novo eu parecia uma imagem refletida no espelho, exceto que havia algo de profundamente mal encaixado em si, algo que nem mesmo minhas contradições admitiriam. Então, mais uma vez, eu soube.

Este outro eu havia sucumbido à incontinência urinária noturna que o perseguiu até a adolescência, à ilusão de que sofrera abusos de algum modo por parte de algum familiar e à insensibildade emocional. Ao passar por mim, tive a visão de sua vida, que se resumia ao modus operandi de sua obsessão. Encontrava pessoas em praticamente qualquer lugar, hora e situação, sem fazer distinção de sexo, etnia ou classe social; seu único limite era a idade, ignorava crianças. Então fazia o que a voz lhe havia ensinado: com um canivete suíço, extraia-lhes os olhos, que colocava nas palmas de suas mãos e costurava-lhes as pálpebras, orelhas, narinas e bocas, arranjando os cadáveres em posição fetal. Era tão metódico que jamais deixava uma só pista para as autoridades e, a depender do perfil das vítimas, jamais seria apanhado: do ponto de vista dos investigadores não havia um único traço comum ligando as pessoas que ele revelava. Apenas ele e a voz sabiam que havia.

Demonstrou apenas surpresa ao perceber quem eu era (estou certo de que ele, como o cê-dê-efe, tiveram de mim a mesma profunda compreensão que tive deles). Seria loucura dizer que este eu fosse feliz; porém, em toda a minha vida, jamais conheci alguém com tamanho senso de objetivo ou tão bem ajustado à finalidade de sua existência.

“...até hoje não sei como não me caguei todo à sua passagem...”

Ainda cruzei com três outros espectros de mim mesmo, vindos do caminho em frente: um músico, um ocultista e um empresário. Todos me cumprimentaram com a minha mesma reserva efusiva (seja isso o que for); percebi que eram todos profundamente frustrados em suas ambições, pelo simples fato de tê-las levado a sério. Sinceramente, nada senti por eles; o melhor que posso dizer é que eram exatamente o que eu já quis ser, e que isso simplesmente não valia a pena.

Aquela procissão de alter egos estava me cansando, sem dizer o quanto me assustava; olhei para trás, procurando o caminho de volta. Nada. Quando me voltei para a encruzilhada, vi o caixão bem no meio.

Sorri tristemente, me aproximando sem medo. Naquele pequeno caixão estava o corpo de uma criança de 13 anos, o único que havia ignorado aquela misteriosa presença no alto do prédio onde subi (melhor dizendo, subimos), planejando um suicídio que a curiosidade incutida pela presença invisível evitou; a mesma presença que apenas um de todos nós não só ainda sentia, mas costumava ouvir...

Subitamente, o ar me faltou e o mundo começou a girar.

Sobre o caixão havia um minúsculo e palpitante embrião humano, de poucas semanas de vida. O embrião que absorveu um outro embrião no útero da mãe.

“Eu disse um outro embrião? Aquela era, foi, teria sido a minha irmã gêmea...”




Minutos ou séculos depois, não sei como estava em frente a minha casa, a chave do portão na mão, nos ouvidos a balbúrdia de sempre da vizinhança; a pouca distância, um cachorro e uma menininha suja de terra me olhavam como se eu tivesse acabado de brotar do chão.

Entrei e, no quarto escuro e empoeirado, liguei o computador e comecei a escrever. E nunca mais parei.


Desde que li o conto “El otro”, n’ “El Libro de Arena” de Jorge Luis Borges tive vontade de escrever uma história de Doppelgänger; apenas me veio à cabeça uma encruzilhada. Depois de ignorada por mais de dois meses, eis que sem aviso essa idéia tornou-se o que acabaram de ler, numa tarde morta e ressecada como asas de iguanas.

1 de set. de 2007

Teoria de conspiração n° 132, ou
No túnel do tempo

  • Multiplicação de estados da “Federação” (talvez querendo acompanhar o ritmo dos municípios), numa aparente volta ao sistema de Capitanias Hereditárias;
  • Entrega do patrimônio nacional a grupos estrangeiros (em troca do abatimento das “dívidas externas e internas”);
  • Transformação do país em latifúndio produtor de cana-de-açúcar* (aproveitando o pretexto do aquecimento “global” e do fim do ciclo de extração petrolífera);
  • Estabelecimento de um posto de multiplicação de capital privado via especulação financeira, além da “lavagem” de grande parte do dinheiro ilegal em “circulação” no mundo (do consumo);
  • Esfacelamento da (pouca) soberania nacional com acordos unilaterais como a ALCA e promessas de assento no conselho “de segurança” da ONU e no Grupo dos 8 (maiores países exploradores do trabalho humano e da Natureza devastada);
  • Ensaios pífios de golpe de Estado via grande mídia e “movimentos populares” de minoria (se estendendo à Internet inclusive);
  • Desmonte da fraca rede de segurança social, direitos trabalhistas e de serviços públicos, em favor das mais desonestas e ineficientes corporações “prestadoras de serviços” internacionais;
  • Lavagem cerebral em todos os meios de comunicação e áreas de ensino (com o surgimento de “formadores de opinião” como moscas!) através de slogans e palavras de ordem como globalização, competitividade, flexibilização de leis, mercado, responsabilidade social e fiscal, inclusão digital e/ou no consumo, modernidade, emprego, pró-atividade, etc;
  • Insinuações (ameaças veladas) de intervenção internacional (a propósito de qualquer crise inventada no país)...

Agora só falta um gringo qualquer desembarcar por aqui e declarar “descoberto” o Brasil.

De novo...*

Evangelho segundo um Amnésico

Tomo primeiro: Do Inferno

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.

I-O Inferno é repetição.


Finda o segundo capítulo.

19 de ago. de 2007

Eu tenho a força! ©He-Man

Já há dez dias este blog foi indicado pelo Lanark ao prêmio "Power of Schmooze", que visa incentivar o bom relacionamento entre blogueiros, uma iniciativa simpática que eu não sei bem se cabe para um blog que nasceu com uma tendência a ser meio cult, não por ser algo especial, mas pelo reduzido número de leitores (bastante qualificados, em compensação)...
Além disso, meu espaço de links para outros blogs de especial interesse está incompleto há muito tempo: tenho mais de vinte nos "favoritos" do Firefox, que não coloquei em minha "mesa de cabeceira" por simples incapacidade de administrar meus interesses e tempo. Ou seja, leio e comento blogs que deixo de recomendar explicitamente, o que também depõe contra o merecimento da indicação, belo exemplo de convivência, não?

Bem, depois deste mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, confiteor Deo omnipotente, as minhas indicações são estas:

Idéias Enroladas - Aventuras do cotidiano, grandes sacadas e muita coisa bonita, simplesmente delicioso de ler;

Luz Vermelha - O olhar ferino e muito bem humorado de uma consultora de moda/sentimental especialista em enxergar o lado mais inusitado dos acontecimentos;

Devaneios & Loucuras - Sensibilidade à flor da pele na poesia vinda diretamente de Pasárgada, um mergulho nas profundezas da alma.

Aí está, espero que a Laura não se incomode por eu também ter indicado "apenas" três blogs. Estou tentando melhorar, juro...!

18 de ago. de 2007

Tá cansado? Vai pescar!

Quase incluí alguma coisa deste ridículo movimento oportunista "Cansei" na minha última postagem, mas pesquisando na net achei isto.

Divirtam-se!

17 de ago. de 2007

A quem possa interessar

“Welcome to the desert of the real.”
(Morpheus, no filme Matrix)



Este é o blog de um subjetivista, como talvez vocês tenham notado. As raras vezes em que saí do reino do devaneio para errar pela vazia realidade foram motivadas apenas por distração, esquecimento ou falta de inspiração de minha parte (e a volta à fantasia sempre foi mágica, com o sabor de novidade dos tempos de criança).

Mas hoje abro uma exceção, pois me sinto triplamente atacado por certa campanha publicitária de um jornal paulistano, que ironiza os blogs. De saída, porque a esmagadora maioria da mídia há tempos tem me enojado, especialmente o jornalismo e a publicidade. E agora por mais uma tentativa grosseira desses cachorrinhos amestrados dos poderes dominantes de impor sua distorcida visão da realidade num meio como a Internet que (e eles já deveriam ter aprendido), não se rende facilmente às manobras de enquadramento interesseiro no sistema podre por eles defendido.

Que não se imagine que eu aprecie qualquer blog que exista, até porque não os conheço todos. Aliás, não fui atraído pela blogosfera desde o seu início justamente por me parecer que esta se tratava de um mero espaço aborrescente (estou muito satisfeito por ter descoberto meu erro, mesmo que tardiamente). Além disso, não sou ingênuo a ponto dar crédito ou considerar relevante tudo que se publica na rede (ou em que mídia seja), e odeio o abominável miguxês com que alguns são rabiscados, características ironizadas na campanha. Mas não sou autoritário a ponto de exigir sua extinção só por isso: minha opinião a respeito deles diz respeito apenas a mim; não tenho intenção de cruzar seus caminhos, se eles não cruzarem o meu.

Se quiserem mais informações, cliquem aqui. Não vou citar os nomes da agência publicitária ou do jornal, nem dar continuidade à polêmica surgida na parte mais politicamente combativa da blogosfera; não quero bancar a carpideira e animar velório de um veículo de inverdades que jamais reconheceu minha existência e nem coveiro, para jogar a pá de cal sobre um bando de apêndices de vendilhões que em sua vaidade se intitulam “criativos” e até inventaram um “mercado” próprio.

O que eu quero é que eles e tudo o que representam desapareça da face da Terra, o quanto antes.

Grato pela atenção.


[editado 18/08 - fotomontagens "respondendo" à campanha do jornaleco:
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e, aproveitando meu passeio pelo purgatório...]

Criança (que) Esperança

Esperar que um evento beneficente,
Que almeja dinheiro tão somente,
(De preferência em moeda corrente)
Para deixar a consciência contente;

Em troca de um espetáculo estridente,
Feito por muita nulidade emergente,
Venha tornar abandonados em "gente"...
Há! Que expectativa indigente!