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14 de set. de 2013

Cestrum nocturnum_Dama da Noite


A sua visão
Me deslumbra

mas só a noite

O seu toque
Me enebria

mas só a noite

A sua voz
Me encanta

mas só a noite

O seu gosto
Me transporta

mas só a noite

O seu cheiro...
... ah, o seu cheiro...

20 de abr. de 2013

Chuva de Sangue


A mulher anda, cambaleando na calçada, sob um sol ardente. Eu sei: eu vi.  E eu vi outras coisas: carros nas ruas, gritando idiotices; pessoas nas lojas, comprando nada; caminhões dos prósperos indo para o lugar nenhum que eles criaram. 

 Eu estava apenas lá, olhando a vida. E eu vi chuva chegar, vermelha, densa, como sangue recém-derramado. Veio sem aviso, sob um sol abrasante, sem nuvens, sobre uma cidadezinha sem importância, sem razão de ser, sem presente, sem futuro, quiça com algum passado. 

 Foi ontem. Eu estava à toa na vida, como o Chico Buarque, meio bêbado como eu mesmo, sem saber o que fazer, onde ir, o que ser. O céu, azul como poucos de vocês jamais viram; o vento, gentil para os urubus que circulavam preguiçosamente acima de minha cabeça; a vida de sempre sendo sempre a vida de sempre... Não havia de ser nada diferente. 

 E então ela veio, precedida de um ribombo que não era trovão, nem era tiro de canhão; que não sei o que era. Só sei que veio, me chocou e deixou uma pergunta no ar... E mais de que uma pergunta: uma vibração, um ‘algo mais’ que eu não saberia definir... até que caiu a chuva vermelha - a chuva de sangue. Eu estava olhando para cima, como o retardado que me consideram, quando a primeira gota (ou lágrima, como seja) caiu no meu olho esquerdo. E a chuva veio, rubra como o Inferno. E foram só as poucas gentes da rua correndo, buscando abrigo, tentando esquecer o que acabavam de ver. Como a mulher cambaleante do começo do conto. 

 “Que Diabo!” “Deus me livre!” “É o fim do mundo!” - Foi o que disseram. E eu lá, de olhos abertos, meio bêbado, meio sonhando, no meio da chuva de sangue, rindo de dentes vermelhos como o idiota que sou...

21 de fev. de 2013

Confissão de um Vampiro


“- O mais irônico de tudo é que, em criança, eu sonhava em ser assim...

... quando eu não sabia como era.”

8 de fev. de 2012

Livre Associação

“— Casa.”
“— Pássaro.”
“— Pássaro.”
“— Prisão.”
“— Prisão.”
“— Vida.”
“— Vida.”
“— Água.”
“— Água.”
“— Medo.”
“— Medo.”
“— Mãe.”
“— Mãe.”
“— Noite.”
“— Noite.”
“— Sangue.”
“— Sangue.”
“— Mulher.”
“— Mulher.”
“— Dor.”
“— Dor.”
“— Fogo.”
“— Fogo.”
“— Diabo.”
“— Diabo.”
“— Sol.”
“— Sol.”
“— Morte.”
“— Morte.”
...
“— Morte?”
...
"— Morte?
“— ... doutor?”
“— Sim, enfermeira?”
“— O paciente... está morto há pelo menos meia hora!”
“— Interessante! Para quem mandamos a conta?


Ridículo, não?

2 de abr. de 2011

Sláinte

Brindemos!

Aos Deuses desconhecidos, que a extinção de seus adoradores levou de volta às trevas do Esquecimento.

Às arcaicas Estrelas cuja luz não há de brilhar sobre a escuridão desse nosso quadrante do Universo nos próximos mil anos.

Às tenebrosas profundezas da Mente, onde Maravilhas e Horrores inauditos conversam furtivamente.

Às sombrias fontes da Vida, em sua eterna luta por alcançar o transitório fulgor da Existência.

Ao Tempo, que teme apenas as obscuras Pirâmides.

Ao Pó em que hei de me converter, no abismal ventre da Terra Mãe.

Ao Caos.

Brindemos!

1 de dez. de 2010

Sinestesia

Minhas quarta-feiras verdes já não cheiram a lá bemol — enquanto meus dedos tocam uma distância amarga como o número três...

9 de out. de 2010

Alguns Títulos de minhas Obras Onírico-Imaginárias:

Singulariclast 15 mg e Outros Venenos(Ensaios sociológicos anarquistas)


A Bottle of Vintage Hell (By a Lost drunkard Soul)
(Contos, poemas e ensaios etílicos-inglês)

Assassinatos Divertidos(Romance cyberpunk dadaísta)

De Risadas de Crocodilo e Lágrimas de Hienas(Ensaios políticos surrealistas)

Mirrors of Smoke (and Castles Made of Darkness)(Contos ilustrados-inglês)

A Volta no Saca-rolhas(Peça teatral necromântica em dois atos)

Apologia a Delírio dos Perpétuos(Escrita automática)

The Napkin Leon of Chester Hell(Romance histórico [Revolução Industrial]-inglês)

¿Quien Sabe? (To the memory of Jorge Luis Borges)(Novela lovecraftiana-inglês)

A Porta no Final do Corredor e Outras Portas(Contos)

Matrimônio do Dragão Negro e da Fada Verde(Desenhos e aquarelas)

O Tormento do Escorpião(Crítica Literária)

Devoradora de Mundos(Teoria econômica)

Passou por Aqui e se Foi (Mão da Glória)(Contos e fragmentos)

Sombras de Vilanelas e Trioletas(Poesias ilustradas)

Sopa de Cabeça de Bode(Ensaios sobre músicas dos Rolling Stones)

Tijolo de Veludo(Songbook)

Liber Caldariae Magicum Digitalis vel Electrochemia:
  • Baixando Espíritos Familiares com Bit Torrent;
  • Exorcizando Back Doors Daemons (correntes de e-mail);
  • Entendendo Anjos Instantâneos;
  • Cyberxamanismo for Dummies;
  • Hackin’ Chaos Theory (beta version);
  • Black Magick Corporate IT (pun not intended);
  • Acronymistic Sigils 2.0;
  • Astrologia Relativística;
  • Interpretação de Augúrios em Peças Publicitárias, Canções da Moda, Estados Narcórticos e Delirium Tremens;
  • Quadrados Mágicos Quadridimensionais e Outras Receitas de Bolo
(Grimoire informático multilingüe online)

Omnia Interit - Café dans Malebolge(Autobiografia estilizada)

18 de jun. de 2010

Sal Amargo

Aparta-nos da multidão ao destacar o que há de igual em nós

Cheia até a borda é a vida
quando não se sabe viver

Ontem nós não somos
vimos o futuro passar e nem adeus acenamos
Hoje se fez tarde nas décadas
de intragável silêncio
Rompantes sem importância fazem valer a pena

Donde vamos buscar histórias de preencher o tempo
sem saber caminho ou razão
Exibindo a marca de nascença que
nos traz a morte
Sobre nossas cabeças um sol
que sabe a escuridão e doce enfado
E uma mulher abre mão de si como todas abrem

(dor de cabeça de fome e tabaco que me traz novas linhas
enquanto pedestres e bicicletas passam por mim)

Não levamos nossas fronteiras aos céus
visto que os céus não alcançamos
Somos criaturas do chão sonhando
o dia que há de amanhecer em nossa consciência

Apaga a luz e vai dormir

28 de mai. de 2010

Notícia Sobre a Recente Viagem do Verme à Sua Terra Natal e Suas Conseqüências

Era uma vez um verme cuja grande ambição era ser verme; ambição que, diga-se de passagem, custava-lhe grande esforço para ver realizada. Assim, quando seu desespero alcançava o limite do suportável e a ocasião exigia (leia-se: seus velhos amigos pediam, sabe-se lá por qual motivo), ele abandonava a carcaça seca em que vivia e arrastava-se para o seu local de origem, onde a vida fervilha como vermes numa carcaça não lá muito fresca nem lá muito seca. Onde, sendo verme e não grande amigo da vida fervilhante, nunca se sentiu à vontade, aceitando o desafio mais por inércia do que por outro motivo.

Fazendo isso, deixava de lado sua rotina que incluía deixar seus dispersos pensamentos e sentimentos expressos num meio moderno que não combinava consigo e tomar conhecimento dos pensamentos e sentimentos (quiça dispersos) de outras criaturas que, ainda que pudessem ou não ser vermes como ele, pareciam ter mais (ou menos) a expressar: trocar essas impressões, apesar do estranho medo que elas lhe causavam, era o maior prazer que vinha sentido nos anos recentes de sua aleatória existência — e uma falha nessa rotina representa uma perda irreparável da qual ele se ressente muito, visto que ela retira de sua vida o que de mais essencial há nela — ou seja, a qualidade de ser verme. Foi-se, mesmo assim.

Poderia ter se encontrado com aqueles que lhe ensinaram o caminho, mas conseguiu — sem muito esforço — perder a chance.

Poderia ter reencontrado muito mais pessoas queridas do seu passado que chegou a encontrar. De novo, falhou.

Poderia ter trazido consigo recursos suficientes para tornar sua vida e a de seus próximos um pouco melhor. Ainda nisso fracassou.

Hoje, ele está de volta à carcaça seca onde se sente menos sem lugar, mas impossibilitado, devido à sua natural incompetência em administrar a própria vida, de tentar reatar os poucos laços que ainda não conseguiu destruir e buscar o caminho da realização de sua ambição; por força do hábito, revolve-se na autocomiseração e verborragia, engolfado pelo calor e a poeira do fim de mundo.



Pode-se acusá-lo de tudo, menos de ser infiel à sua rotina...

1 de fev. de 2010

Imaginem...

Um mundo em que as promessas sempre serão quebradas.

As misérias sempre serão as alheias.

A Esperança sempre aguardará no fundo da caixa.

Vítimas sendo sempre vítimas, mesmo quando são algozes.



Imaginem...

31 de jan. de 2010

Canto Triste de uma Adaga Enferrujada

Vocês sabem que eu nasci antes de vocês, antes do ferro, antes do bronze, antes do aço; e vocês sabem que eu sobreviverei aos seus escombros — em queratina, em esmalte, em marfim: eu sou o dente de tudo que vive, de tudo que mata.

Vocês sabem o quanto devem a mim, o quanto me amaram antes. Mas agora me rejeitam; então inventaram essa maldita prisão, essa bainha que me oprime, essa escuridão que cega a ambos, a mim e a vocês.

Paz, disseram vocês. Chega de sofrimento e mortes, disseram vocês. Chega de derramar sangue.

E em que sua “paz” resultou, senão num caudal de sangue ainda mais largo, ainda mais profundo, ainda mais gratuito? Sua inteligência serviu para outra coisa senão tornar a carnificina banal, algo que qualquer criança pode infringir a qualquer um — e qualquer um infringir a qualquer criança? Não foi institucionalizada a covardia imbecil do chumbo e da pólvora, da dinamite, do urânio, dos germes até, em nome de sua suposta “paz”?

Para isso me aposentaram, para isso me aprisionaram? “Chega de derramar sangue”?


... e para que serve o sangue, senão para derramar?

Ouçam minha profecia: chegará o dia em que, destituídos de seus malditos projéteis, imunizados de suas abjetas doenças, privados de seus imundos combustíveis, agastados de sua nojenta complacência com a miséria que alimenta vidas inúteis, cercados pelos cadáveres que sua volúpia homicida não pode assassinar outra vez, vocês se voltarão para o passado — implorando perdão, acariciando a empunhadura azinhavrada e clamando para que eu saia de minha prisão e lhes conceda a “paz” que não merecem.

E minha lâmina, quebradiça como folha seca pela ferrugem a que vocês a condenaram — minha sede de sangue há muito esquecida — se desfará em pó contra suas gargantas — imagem da esperança de repouso que vocês acalentaram em vão.

15 de jan. de 2010

Bestiário

Um escorpião mora em minha língua. Pela minha voz ele ataca, sem provocação, àqueles com quem falo: envenena prazeres, apodrece solicitudes, mumifica esperanças. Não riria disso, mesmo que pudesse.

Uma cobra-cega mora nos meus olhos, enrolada neles. Ambos só eles. Ambos sem cor. Ambos ambidestros. Ambos inúteis.

Um ninho de vespas mora em meus ouvidos. Os sons do mundo me chegam borrados, indistintos, perigosos — carregados de ameaças que o mundo não me faz, destituídos das promessas que não me alcançam, barulhentos num mundo em que silêncio é morte e a morte é ruído. Esse constante ruído — esse ruído constante — esse ruído — ruído — ruído — ruído —

Uma lampréia mora em minha pele e ossos, só boca e dentes e língua sem mandíbula, parasita de outros peixes — coisas — idéias — pessoas. E esses não sabem que eu estou lá. Ou não querem saber.

Um lobo mora, faminto, em minhas vísceras. Se você me encontrar, fuja ou mate-me. Não fará diferença, desde que eu não o alcance primeiro.

Um elefante mora em meu fígado. Quanto mais eu me entorpeço, mais ele me regenera — para sofrer do envenenamento de novo. E ai de quem cruzar os meus passos.

Uma jibóia mora em meus braços e pernas: eles se enroscam em você e tiram seu fôlego bem devagar. E depois eu vou ficar imóvel por seis meses, digerindo, esperando. Esperando outro você. Esperando o mesmo você de sempre.

Um formigueiro mora em meus pés. Não tenho objetivo senão seguir irracionalmente em frente, não tenho descanso senão na morte que não chega nunca.

Um abutre mora em minhas veias, comendo a carniça da civilização, rapinando idéias mortas de sábios esquecidos, esperando que os sábios lembrados morram. Pois eu tenho fome.

Uma tartaruga gigante mora em meu cérebro. Conheço o mundo com remelentos olhos seculares, masco conhecimento com um seco bico córneo, defeco pedras fúnebres: desprezo o passado, desprezo o presente, desprezo o futuro; desprezo a mim mesmo. E ainda estou aqui.

Vermes moram em meu coração.

13 de dez. de 2009

Chiaroscuro

Soneto de Cavalaria à minha Dama Sofredora

Tens a cútis acastanhada dos gitanos,
E dos briosos ameríndios vencidos
Pela sanha dos sombrios fementidos,
Que dos nômades se julgam estranhos.

Tens errantes os olhos ansiosos
De infante a sondar o desconhecido,
Que te levam, sem que tenhas merecido,
Sofrer dos pares os golpes raivosos.

Quisera eu te livrar então te amando,
Da desdita que, em nascer, nos têm a todos
E tu a mim, conforme, sustentando:

E se tolos à refrega presos fomos,
Façamo-nos de aríete, esmigalhando
Aos canalhas que nos pagam os soldos.




Noite de Meu Bem

Linda boneca de porcelana! Eis-me aqui,
Ouça a minha melopéia — ela te trará
Doces paragens com as quais sonhar:
Como prometido, venho te fazer dormir!

Para ti eu trouxe, da noite sem fim,
O brilho friento e austero dos astros;
Agora peço, tendo vindo a teu quarto
Um pouco desse teu calor para mim.

Seja apenas de delírio esse momento:
Desvelem-se do prazer todas as rotas,
Da luxúria abram-se as sombrias portas —
Naveguemos pelo rio do Esquecimento!

Desafogo trago à tua mente atribulada,
Os cansados ossos meus conforto pedem;
Possa o cruel tempo que os relógios medem
Delongar por nós a inexorável marcha.

E enquanto aos outros o Devorador acossa,
Que continue o meu caminhar, incessante.
E possas tu — para sempre deslumbrante —
Reinar eterna entre as outras noivas mortas!

28 de jul. de 2009

Sombras não têm Sexo

“— Você me deseja?”, pergunta Felícia.
“— E porque deveria?”
“— Bem, está sempre por perto...”
“— Sua responsabilidade: sem você, eu não existira...
Ela se aproxima, sua companhia se afasta.
... e existindo, não sou nada.”

Seus olhos fitam a escuridão, em silêncio.

26 de jul. de 2009

7 dias na Vida

O homem que era segunda-feira acordou levemente entediado. Foi para o trabalho sem muito entusiasmo e voltou para casa decididamente entediado.

O homem que era terça-feira estava preocupado com as contas atrasadas; isso não ajudou muito — as contas continaram por ser pagas. Na televisão não encontrou nada de interessante, então foi dormir cedo.

O homem que era quarta-feira se encontrou com a moça com quem vinha saindo; jantaram, foram a um motel, transaram duas vezes. Ao deixá-la em casa ele a beijou e combinou um novo encontro na próxima semana (ela não teria o final de semana livre).

O homem que era quinta-feira se perguntou durante todo o dia se o tempo não estaria passando mais rápido ou se era apenas ele envelhecendo. Não conseguiu chegar a conclusão nenhuma.

O homem que era sexta-feira saiu com alguns colegas de trabalho para um happy hour, ocasião em que ele descobriu, desconcertado, que happy hours duravam consideravelmente mais que uma hora e nenhum momento deles era realmente feliz.

O homem que era sábado lavou o carro.

O homem que era domingo não saiu da cama e morreu ao por do Sol.

25 de jul. de 2009

A Tribo

Os mentirosos contam histórias entre eles. Eles não se importam que sejam mentiras; eles não se importam com nada. Exceto que lhes interrompam as histórias.

Há paus, pedras e uma fogueira para os infelizes que tentam.

21 de jul. de 2009

Soneto do Poeta Torpe


O raciocínio, por melhor que seja formulado
Esbarra sempre na cruel falta de talento:
E ainda que despenda todo o seu alento,
Jamais viu o sublime objetivo alcançado.

Se envergonha do senso estético desatento;
Solitária e triste sina de amador frustrado:
Insignificância há de ser o seu legado,
Enfado — a suma de seu destempero.

Métricas, rimas, sílabas, linhas,
Fragmentos vãos do sonho que lhe coube;
Nunca o sumo doce das vinhas

Da divina Musa que nunca o ouve.
Não a alma ardente que julgou que tinha:
Apenas isso — só um poeta torpe.

20 de jul. de 2009

Comemoremos!

O Dia do Amigo
Dos amigos do poder, amigos da corrupção, amigos do ódio, amigos do medo

A conquista do espaço sideral e invasão da Lua
Frustrada fuga da cena dos crimes contra a Terra

A justiça social de nossos tempos
As 40.000 crianças que morrem de fome todos os dias

A violência desenfreada
Física, moral, psicológica, urbana, rural, doméstica, laboral...

A morte da cultura humana
No funeral diário que é a indústria do entretenimento de massas

A fé
Nos deuses mortos-vivos, todos eles

A era da informação
A nova Era das Trevas




"Raise your glasses to the good and the evil
Let's drink to the salt of the earth."


15 de jul. de 2009

Universo Feito a Mão

Espelhos

Agora você vê — agora não vê mais,
Com olhos de enxergar e a mente a entender.
Moldar o real para poder nele viver,
E perder o sentido da vida que há por trás.
Não há razão para ter medo e mesmo assim
Tememos o começo e odiamos o fim;
Oh, o que será de nós, o que será de mim?
Obedecer ao “não” e combater o “sim”.
Agora você vê — agora não vê mais,
Com olhos de enxergar e a mente a entender.
Além de tudo que ainda há por conceber,
Inalcançável para sempre o prêmio jaz.
Toda nossa indústria e toda nossa astúcia
Não mudam nossa quimera em coisa lúcida;
Buscando a plenitude em sua forma justa
No vidro frio do enigma a marcha acaba, brusca.
Nem esperança nem desespero temos,
Seguimos vivos apenas porque vivemos.
Com olhos de enxergar e a mente a entender,
Agora você vê — agora não vê mais.




Fumaça

Teias vivas, vivas,
Nascem, sobem, rumorejam;
Fumaça multicor.

2 de abr. de 2009

Uma Mente (não tão) Brilhante

45² 20+25 4+5 8+1 campo eletromagnético<=>entropia sincrônica
¼ ! Δ Δ Δ ângulos retos/gaiola de Faraday/ciberparanóia
½ <°]]]]]]>< 2+2 ... 4? 6,626068 × 10-34 m2 kg/s| F#º
¾
∑ ∞
0,1,1,3,5,8,13,21
34,55,144,233...
antipósitron-verde negativo=>pânico digital=>vácuo inconsciente=>anima mundi
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E=m.c² Δ Δ Δ “Parabéns pra você, nessa data querida…”